domingo, 12 de julho de 2015

Quando saí do armário

Esse ano fez 6 anos que me assumi para minha mãe, exatamente no dia do meu aniversário, dia 18 de fevereiro de 2009. Já estava namorando a um mês e achei propício contar a ela sobre minha sexualidade, já na naquela mesma semana meu ex-namorado passaria 4 dias em nossa casa.
Foi uma fase meio conturbada da minha vida, estava me afastando da igreja aos poucos, por causa do meu ego ferido, por não ter sido escolhido para ser líder do grupo de jovens, apesar de ter me disposto a ajudar tanto. Um rapaz tolo, achando que poderia barganhar com Deus tal mérito. E ao invés de ajudar a nova liderança a crescer ainda mais, me afastei, afastei amigos, e como me arrependo de tal feito.
No final de 2007, fiz amizade com um rapaz na fila para a inscrição no Vestibulinho da ETEC, em Mogi das Cruzes. Após algum tempo de conversa, descobri que ele era gay, mantive a amizade, até então não tinha nenhum amigo assumido. No ano seguinte, no mês de agosto, ele me convidou para sua festa de aniversário. Fui e levei um amigo junto. Me encantei com tudo e conheci o seu namorado. Dias depois fui procura-lo no Orkut, mas achei outro rapaz com o mesmo nome e começamos a conversar. Descobri que tinham sobrenomes iguais e que eram amigos e que inclusive também conhecia o rapaz da fila.
Foram 6 meses de conversa, até que nas minhas férias do trabalho, fui para a casa dele, no interior. Começamos a namorar durante a viagem, eu estava perdidamente apaixonado. Minha família desconfiou e achou estranho eu embarcar nessa aventura, ir para a casa de um desconhecido, passar uma semana lá.
Hoje tenho a idade que ele tinha quando namorávamos, eu o achava tão mais velho e tão mais maduro. Mas voltando a falar sobre minha saída do armário. Estava conversando com ele no MSN, e minha mãe no sofá assistindo o jornal, achei que seria o momento apropriado, e fui bem direto, disse que estava namorando, ela me perguntou com quem, hesitei e disse o nome dele.
Discutimos aos berros por alguns poucos minutos, ela me condenava dizendo que a Bíblia assim a dizia. E eu refutava argumentando que ela nem lia as Sagradas Escrituras. Foi um show de horrores, uma falta de educação de ambos os lados, acima de tudo minha, que não respeitei a dor da minha mãe. Durante alguns meses a fala dela ressoou em minha mente: “eu preferia uma filha prostituta”. Me feriu tanto. Ela ficou sem falar comigo por meses, sempre a via abatida e fugindo de mim, principalmente depois que conheceu meu ex.
Hoje, ele já é falecido, infelizmente os problemas de saúde tiraram sua vida. Durante o tempo que namoramos, falei de Jesus para ele, ele ateu ou agnóstico, não me recordo, sequer me dava espaço para falar. Também não me cabe julgar o lugar para onde Ele foi, só Deus o sabe. Após a sua morte, descobri o carinho que ele ainda nutria por mim, ao conversar com sua irmã, e ressaltei que só não permanecemos amigos, porque éramos orgulhosos demais. As outras amizades permanecem, é bom saber que os anos se passam, mas que algumas pessoas ficam nos marcando durante esse tempo todo.
Minha relação com minha família foi bem conturbada, todos fingem que não sabem, e eu finjo que nunca contei. Para meu pai me assumi pela internet, quando ele puxou o assunto. Ele estava muito doente, e bem distante de nós e me disse: “filho, te amo, e te apoiarei em todas as suas decisões”. Mas não falamos abertamente sobre minha homoafetividade.
A auto aceitação já tinha acontecido muito antes, quando lutei com todas as forças contra aquele misto de sentimentos que me eram estranhos. Tentei namorar duas meninas, para ver se algo mudava, fiz muitas campanhas, orava constantemente, pedia muito a Deus que me transformasse para viver a heteronormatividade que me era ensinada, briguei muito com Deus. Até conseguir entender que o amor dEle não se limitava a sentimentos tão mesquinhos. O amor ágape do Senhor tinha o poder para me transformar em filho, independente se eu gostava de homens ou mulheres.
Um ano após iniciar meu primeiro namoro, terminei ele. Jurava que não o veria nunca mais, nos encontramos em um aniversário. Nessa época já estava curtindo a noite gay paulistana, frequentador assíduo de boates e perdido na vida. Me acalmei, comecei a namorar com outro rapaz, e algum tempo depois conheci a igreja que congrego até hoje. Cresci na igreja e não caberia em outro lugar que não seja a igreja. O namoro também durou cerca de um ano. Mas o amor por Jesus só aumentou depois disso. Hoje adoro sem máscaras, não preciso mentir para me apresentar diante de Deus, sou gay, sim, mas também sou cristão. Optei por viver a verdade de Deus para a minha vida, e glórias ao Pai por isso.
Não combati versículos bíblicos nesse texto, também não expus o nome de ninguém, foi apenas uma versão resumida de como me assumi. Fazem alguns dias que estou para escrevê-la e sequer vou revisar antes de publicar.  Espero que esse pequeno testemunho possa falar com você e plantar essa pequena semente chamada AMOR em seu coração. Se tiver alguma dúvida, pode em chamar no inbox do Facebook para conversarmos, será um grande prazer.

Beijos e uma ótima semana a todos, @capitaotilapia


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