domingo, 4 de dezembro de 2011

O menino que não sabia voar.

E se um dia você acordasse e não soubesse mais voar? O que faria? 
Essa é a história de um menino que, mesmo com asas, não alçava voo. Por mais que tentasse, suas forças esvaiam-se e seus pés nem do chão se mexiam.
Quisera ele ser igual ao grande Ícaro, que em um ato de desespero e coragem voou tão perto do Sol que suas asas de cera derreteram. Mesmo com o fracasso, ele conseguiu algo que Tatho jamais conseguiu, só em seus desejos mais ardentes, seus sonhos mais secretos.
Tatho é descendente da, grande e honrada, família Gautier, conhecida por seus voos perfeitos, tais quais ao de uma ave de rapina. E o pobre rapaz nada mais era do que a vergonha para seus antepassados.
Os mais diversos médicos o examinaram e não encontraram a cura para o seu mal, aliás, nem o problema do pobre rapaz encontraram. As asas eram perfeitas, talvez as mais belas da sua geração; sua musculatura, apesar de ligeiramente frágil, também estava boa; até sua mente estava em ordem, segundo psicólogos e psiquiatras.
Qual era então a origem do problema? E se existia, teria ele solução?
O que faltava ao pobre Tatho era liberdade de ser quem ele queria ser, e não mais um grande Gautier. Faltava-lhe o direito de expressar sua opinião e defendê-la até o final, mas isso não lhe era permitido.
Um garoto sonhador, sem alicerces, esmagado pela má vontade de seu pai e pela falta de condições de sua mãe em ajudá-lo. Por mais que a vida em alguns momentos conspirasse a seu favor, no momento seguinte dava-lhe uma rasteira.
Obrigações; ser, ter, possuir, alcançar, prazos, e as metas nem ao menos eram dele.
Coitadinho do pequeno Tatho, aprisionado em um cárcere do qual sozinho não pode libertar-se e não tem quem o ajude.
Seguir a vida da maneira que lhe cabe, expor sua opinião e tentar colocar em prática - quem não tenta, não consegue - viver a sua maneira e batalhar pelo fim da escravidão da sua alma. Isso é o princípio, construirá assim as estruturas de sua pista de voo e quem sabe um dia descobrirá o gosto as nuvens.
Isso, só o tempo dirá.

4 comentários:

Luiz Freitas disse...

Com minhas humildes palavras quero parabenizá-lo pelo texto.#ficouótimo

Unknown disse...

Obrigado Luuuuu! *-*

Fabiano disse...

Belas palavras vinda de um ser belo, que passa ao externo o sentimento mais puro e limpido. Prabens primo, a cada dia vc me surpreende mais, fico feliz por vc.

Unknown disse...

Obrigado Fabiiii! *-*