domingo, 3 de janeiro de 2010

Medo, dor, sofrimento, desespero, vida e morte


Medo, dor, sofrimento, desespero, vida e morte, essas são muitas das palavras usadas pela população guararemense para descrever o 1º de Janeiro de 2010.
Fomos pegos de surpresa por uma sequencia de incidentes, quase que simultâneos, que assustaram os moradores e levaram a cidade a um estado de calamidade. A chuva que não cessava, o rio não parava de encher, barrancos começando a desmoronar e as pessoas entrando em desespero. E mais tarde nos vem a notícia de que estavamos ilhados na cidade, pois as saidas estavam todas bloqueadas.
Por volta das 14h acabou a energia elétrica em quase toda a cidade, foi quando saimos de casa, minha mãe e eu, para vermos o que estava acontecendo, parte da construção da churrasqueira em minha casa foi destroída pelo desmoronamento de terra quando estavamos no quintal observando o rio que não parava de subir, saindo na rua vemos mais terra pelo caminho, vamos ver se algo aconteceu com os vizinhos e nos deparamos com uma família em pânico, pois estava desbarrancando a terra embaixo de suas casas, as pessoas saindo de casa chorando com os cachorros no colo e as poucas coisas que conseguiram salvar naquele momento.
E começamos a ter uma visão mais ampla do que estava acontecendo pela cidade, pudemos observar que já haviam ruas interditadas. Passamos em casa, fizemos algumas ligações e fomos pra casa de conhecidos para ajudar no que fosse necessário. É uma coisa horrivel você andar pelas ruas ver a expressão de desespero na face das pessoas e muitas vezes não poder ajudar em nada. Chegando ao bairro Nogueira, um dos focos de alagamento da cidade, ajudamos amigos, conhecidos e até quem não conheciamos a erguer os móveis e aconselhamos a sair de suas casas (muitas pessoas infelizmente relutam muito a fazer isso).
Guararema é um ovo, então as notícias dos acontecidos em outros bairro chegavam muito rapidamente. E logo ficamos sabendo sobre muitas pessoas soterradas, conhecidos que infelizmente faleceram sem nem ao menos poder fazer nada, casas que já estavam alagadas, minha tia é uma das pessoas que saiu de casa com medo do alagamento, atitude que muitas outras pessoas tambem deveriam ter tomado, mas infelizmente o apego ao material pra certas pessoas fala mais alto.

Você saber que graças a Deus está tudo bem com você, com sua casa, com sua família, nesses momentos é muito bom. Mesmo assim bate um sentimento de empatia e você acaba criando coragem e forças pra ajudar as outras pessoas.
Envolto nesse sentimento, estou trabalhando voluntariamente, ajudando na distribuição de alimentos, roupas, colchões, cobertores e água, com meus colegas da Secretaria Municipal de Assistencia Social e Cidadania de minha cidade. Fazendo o que nos é possivel no momento.

(palavras de um escritor amador, que sentiu necessidade de descrever o que tem visto nos ultimos 3 dias)


Abaixo vou colocar duas reportagens que foram publicadas pelo Jornal Mogi News e no Diario TV/ SP TV:




Um comentário:

Erikson disse...

Imagino Por Tudo o que Você Passou .. Só Quem Já Passou Por Isso Sabe Dizer .. O Bom de Tudo isso é que Você e sua família estão bem .. e podem ajudar os que precisam.
Tudo Na Vida Passa .. Nada é Eterno .. as Coisa Vão Só Melhorar Daqui Pra Frente Você Vai Ver .
Boa Sorte Aí .. Com As Coisas Que Está Realizando .
By: Arthur ;)